quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Dom Lamberto Schmieder, OSB Construtor do cadeiral do Mosteiro de São Bento da Bahia


O Mosteiro de São Bento da Bahia representa um dos mais importantes monumentos artísticos produzidos no País na época colonial. Nele, encontram-se obras de arte que traduzem todo um sistema de valores de uma época, cujo estudo crítico é imprescindível para a compreensão do processo histórico e cultural que marcou tão profundamente o caráter do povo brasileiro.
Grandes estudiosos já se debruçaram sobre esta jóia do neoclássico, escrevendo livros sobre este mosteiro. 
Devem ser lembrados os nomes de Dom Clemente da Silva-Nigra, Dom Gregório Müller, Dom José Lohr Endres e o artista Irmão Paulo Lachenmayer que colaborou na ilustração de tantas obras, para ficarmos entre aqueles que se destacaram no campo da arte. Todavia, apesar da excelência do trabalho já produzido até aqui, muito ainda há por ser revelado aos olhos de quem se interessa pela arte, pela cultura e pelos vários significados religiosos de que é depositário este monumento. São muitas as leituras que o Mosteiro permite ao pesquisador atual. Particularmente em relação ao aspecto simbólico da obra religiosa, ainda se tem por fazer todo um trabalho, com a erudição e a sensibilidade que o assunto impõe.
A história às vezes se esquece de guardar para as gerações futuras a memória de personagens importantes por sua vida ou por seus feitos sendo assim falaremos de um irmão que ficou esquecido nos anais nos relatos do mosteiro baiano, o objetivo nesse artigo resgatar a memória de Dom Lamberto Schmieder, OSB monge deste Mosteiro de São Bento da Bahia.









Nasceu em Seefelden perto de Milheim. Baden, Alemanha em 26 de abril de 1885, filho de José Schmieder e Madalena Luhr. Esse monge alemão entrou na Ordem de São Bento no Mosteiro de Beuron em 4 de abril de 1910 tendo recebido o hábito e entrando no noviciado em 14 de agosto de 1911, veio para o Brasil em 17 de dezembro de 1911, afilhando-se à comunidade de Santa Cruz de Quixadá no Ceára em 28 de dezembro de 1912 lá professando os votos em 1 de março de 1914, nas mãos do Rev.mo Dom Ruperto Rudolf abade do dito mosteiro.


Ir. Lamberto Schmieder, OSB
Fonte: Arquivo do Mosteiro de São Bento da Bahia, século XIX.


Passaporte de Ir. Lamberto Schmieder, OSB

Fonte: Arquivo do Mosteiro de São Bento da Bahia, século XIX.


No ano dia 2 de outubro de 1915 por ordem superior chega a Bahia e em 13 de abril de 1921 e transfere sua estabilidade com toda a sua comunidade para o mosteiro de Salvador. Em 1 de março de 1939 Ir. Lamberto celebrou seu jubileu de prata e em 1 de março de 1964 celebrou seu jubileu de ouro, isso nos atesta o manuscrito de Dom José Edres:



Ficha bibliográfica de Ir. Lamberto Schmieder,OSB
Fonte: Arquivo do Mosteiro de São Bento da Bahia, século XIX.


Antes do Concílio Vaticano II nos mosteiros havia uma divisão de monges de coro e Irmãos donados o primeiro se dedicava a oração e ao estudo enquanto o segundo se dedicava a oração e o trabalho, assim sendo muitos irmãos se santificaram plenamente prova disso é o horário pessoal traçado minuciosamente por Irmão Lamberto descrevendo em sua sua rotina monástica onde descreve os oficios que exerce no mosteiro:

Horário pessoal de Ir. Lamberto Schmieder, OSB
Fonte: Arquivo do Mosteiro de São Bento da Bahia, século XIX.


Mas se dúvida, o mas primoroso de seus trabalhos encontra-se no legado artístico que fez com suas mãos e hoje é herança viva para as futuras gerações. Apesar de não dispormos de documentação referente a feitura do cadeiral, temos por base o legado da tradição da comunidade beneditina na informação verbal. A encomenda do cadeiral do coro do mosteiro de São Bento não poderá jamais dissociar-se de uma figura fundamental: o próprio Dom abade Majolo de Caigny. Foi feito o atual cadeiral em madeira pau-ferro foi trazido da Alemanha. 
 D. Lamberto que era marmorista pediu que para feitura do mesmo se trouxesse a madeira mas dura para que ele pudesse talhar. Posteriormente a madeira ganhou uma tonalidade mas escura. A disposição dos lugares no cadeiral segue a orientação da Regra de São Bento no que toca a organização da comunidade monacal “Portanto, segundo a ordem que ele tiver estabelecido ou que tiverem os irmãos, apresentem-se estes para a Paz, para a comunhão, para entoar os salmos, para estar no coro”. Encontramos o lugar do Abade, Prior e Subprior e dos demais membros de acordo com seu tempo de vida monástica.



Lembrança da missa de exéquias 


Lapide sepulcral no cemitério 
Claustral do Mosteiro de São Bento da Bahia






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